Resenha Crítica – Ciência, Informação e Sistemas de Informação

Thomas Kuhn, tem como sua principal obra “A Estrutura das Revoluções Científicas”.  Essa obra causou um grande impacto na comunidade científica, ao expor uma visão diferente do tradicional paradigma do século XX e abrindo espaço a uma nova abordagem na área de Estudos Sociais da Ciência. Kuhn nasceu em 1922, em Ohio e formou-se em Física em 1943, pela Universidade de Harvard, doutorando-se nessa área, na mesma escola, seis anos mais tarde. O autor, dedicou-se à História e Filosofia da Ciência, as quais estão presentes na obra e também foi reconhecido como professor. Kuhn faleceu em 1996, com 74 anos.

 A obra “A Estrutura das Revoluções Científicas” sugere que a ciência e as condições para o desenvolvimento científico, não acontecem por um processo cumulativo, mas sugere, que este é alcançado, principalmente, por “saltos” ou “revoluções científicas”.

As revoluções científicas apresentam-se em estruturas que se manifestam em fases. A fase pré-paradigmática, é um período que pode ser chamado como a pré-história de uma ciência. É um período de uma disciplina marcada por divergências entre cientistas.  Uma disciplina torna-se uma ciência quando adquire um paradigma, e começa a ser guiada por esse, desenvolvendo práticas e padrões científicos que servem de fundamentos para a sua prática posterior, por parte de uma nova pesquisa. Assim formando-se uma espécie de padrões que guiam um novo trabalho científico e determinam problemas comuns que podem ser resolvidos por intermédio desse paradigma, pela comunidade científica. A ciência normal é a segunda fase do processo, conhecida por ser fundamentada por pesquisas e realizações passadas. Essas pesquisas precisam ser reconhecidas pela comunidade científica e documentadas, de forma que sirvam de embasamento para pesquisas futuras.

Uma revolução científica, segundo Kuhn, acontece, e torna-se indispensável, quando um paradigma já não é mais suficiente e não resolve os problemas que lhe são apresentados. Dessa forma acontece a revolução científica, sendo necessário encontrar um substituto e assim chegamos a uma possível crise, a comunidade científica, conhecida como a terceira fase da revolução científica, visto que é necessário a elaboração e adaptação de novas teorias. Um paradigma só é abandonado quando existe um substituto válido. Essa transição de paradigmas não é cumulativa, implica em uma reestruturação do campo científico, visto que muitas vezes, os cientistas precisam modificar sua área de estudos, os métodos e objetivos. “A transição para um novo paradigma é uma revolução científica”.

Revoluções científicas geralmente são causadas quando uma minoria começa a se depara com dificuldades na explicação de certo fenômenos, tomados como anomalias. A insatisfação, acumulando-se, acabará por levar ao período de ciência em crise.

A aceitação de um novo paradigma, muitas vezes não se baseia apenas com argumentos lógicos. O sucesso e processo de aprovação de um paradigma parte de um acordo entre a comunidade, em consentimento, e isso acontece tanto por razões “de natureza” como por razões persuasivas.

Para Kuhn, as revoluções e mudanças de paradigmas não afetam apenas a realização de novos trabalhos, mas para os cientistas e como se fosse um mundo novo, pois afetam o inconsciente do cientista e aquilo que antes era padronizado e observado anteriormente, parece não fazer mais sentido. A mudança é precedida por um período de insegurança e adaptação profissional. A adaptação refere-se a novas normas e teorias, limites e regras que são padrões definidos no conceito de paradigma.

A obra escrita por Kuhn, demonstra que a mudança é necessária quando busca-se uma evolução científica e novas descobertas. Mesmo que o atual seja mais confortante, é necessário mudanças, por mais radicais e impactantes que sejam, ela possibilita evoluções e sendo assim, necessário a mudança de paradigmas para uma redefinição de teorias na Ciência.  

Esta obra é indispensável  para pesquisadores, estudantes universitários que buscam aperfeiçoar seus conhecimentos, a fim de conhecer os princípios básicos da Ciência. A obra apresenta um bom embasamento teórico.

 

Adriano Luís de Almeida

Sistemas de Informação, Universidade Federal de Santa Maria

 

REFERÊNCIAS

Gradim, A. (2014). A Construção da Ciência: Da Lógica da Investigação à Medição do Impacto. Livros LabCom, Covilhã.

Vieten, C.(2014). Are we in the mindst of a scientific revolution? https://www.youtube.com/watch?v=gnQOZ9gFiss. Acessado em 15 Agosto de 2018.